Muitos pronunciam erradamente a palavra
portuguesa "mister", confundindo-a com a palavra inglesa
"mister". São línguas diferentes, significados diferentes e, claro,
pronúncias diferentes. Em português, a palavra é oxítona terminada em “er”.
Pronuncia-se como se tivesse um acento agudo na letra “é”. Rima com “colher”, e
tem vários significados, como, por exemplo e não necessariamente nesta ordem,
ocupação, ofício, profissão, incumbência, serviço, necessidade. Em inglês,
“mister” é paroxítona, como se tivesse um acento agudo no “i”. A pronúncia
parece com a da palavra portuguesa “mista”. E significa “senhor”. Quanta
diferença, não é mesmo? Pois é!
Não existe estatística sobre esse erro de
pronúncia, mas sua incidência é muito grande. A maioria das pessoas que conheço
comete esse erro grosseiro de prosódia. Comete essa silabada, espécie do gênero
cacoepia. Ouvir isso me dá dor nos ouvidos. É tanto que, às vezes, quando a
intimidade me permite, eu digo à pessoa que a pronúncia correta é oxítona. O
problema é que muitos, infelizmente, não sabem o que é oxítona, paroxítona e
proparoxítona. E, assim, para fugir desse problema, digo logo que a pronúncia
correta de “mister” rima com “colher”. Alguns aprendem. Outros não aprendem e,
dias depois, estarão prenunciando erradamente de novo.
O brasileiro é naturalmente chegado a essa
pronúncia à inglesa, mas, independentemente dessa falsa influência do inglês, várias
pessoas têm, não sei por que razão, a tendência de evitar a pronúncia oxítona e,
em alguns casos, a paroxítona de algumas palavras. São muitos os casos em que
isso ocorre, mas, além da já citada palavra “mister”, vou citar aqui mais três:
as palavras “mercancia”, “rubrica” e “Dario”. Aliás, isso me lembra uma
professora de Direito que tive, na Universidade Federal do Pará. “Mercancia”
rima com “melancia”, mas ela pronunciava “mercância”, fazendo rimar com
“importância”. E eu, é claro, ficava irritado. Nunca a corrigi, evidentemente, mas
cheguei a comentar com alguns colegas mais chegados.
“Rubrica”, que não tem acento gráfico, é uma
palavra paroxítona, como se tivesse acento agudo no “i”, rimando com “pratica”,
a terceira pessoa do presente do indicativo do verbo “praticar”. Muitos, porém,
talvez a maioria das pessoas, a pronunciam erradamente, como se tivesse acento
agudo no “u”. Erro semelhante acontece com a pronúncia do nome próprio “Dario”.
A pronúncia correta é rimando com “rio”, mas um sem-número de pessoas a
pronunciam como se tivesse acento agudo no “a”, fazendo-a rimar com “ovário”.
Está errado, leitor! Só não se pronuncia rimando com “rio”, quando no registro
da pessoa tiver sido posto um acento agudo no “a”: Dário, Dária.
Por fim, para encerrar nosso bate-papo
gramatical de hoje, nesta crônica talvez sem gosto e sem graça, falo do
adjetivo “diuturno” e do advérbio de modo “diuturnamente”. Lembro, como fiz lá no
início, que não existe estatística sobre isso, mas é grande o número de pessoas
que não sabem o significado dessas palavras e, por conseguinte, as empregam erradamente,
pensando que “diuturno” significa “diário” e “diuturnamente” significa
“diariamente”. Não, não significam isso! Diuturno é ininterrupto, o que dura
muito tempo, o que tem longa duração. E diuturnamente, por sua vez, é o mesmo
que ininterruptamente, continuamente. E assim por diante.
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