terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Sem título e, talvez, sem sentido


“Marabá, hoje, 20 de fevereiro de 2012, à tarde, estava extremamente agradável: tempo nublado, brisa muito gostosa, sem chuva. Amei passear a pé pela VP-8 até chegar ao terminal rodoviário, na Folha 32, Nova Marabá, após alguns minutos na livraria da Big Ben. É difícil um dia de clima gostoso como o da tarde de hoje. Amei!”, escrevi e publiquei no Facebook, a coqueluche do momento.

A moda agora é esta (o modo também?): registrar localização, sentimentos e que tais no Facebook, no Twitter, e assim por diante. Isso é muito bom, embora eu ainda não tivesse (na realidade, ainda não tenha mesmo) pegado o hábito. É bom, sim. Serve como meio de comunicação, principalmente, mas não somente isso. Esses registros poderão, com efeito, ter mil e uma utilidades, inclusivamente em investigações criminais.

O problema, pelos menos eu vejo assim, é que muitas pessoas, talvez milhões hoje (não digo muitíssimas, porque há controvérsias quanto a esse superlativo de muito) não sabem ou não têm o que escrever, quiçá ainda a junção das duas coisas, e por isso escrevem baboseiras, tolices, coisas sem sentido e por aí afora. Talvez o que estou fazendo agora, claro. Penso que não, sei que muitos também pensarão, mas muitos outros (a maioria, quem sabe?) pensarão que sim, estou escrevendo besteiras. Fazer o quê? A vida e as coisas são assim.

A ciência e a tecnologia, assustadoramente, estão sempre a serviço e a desserviço do ser humano, depende do uso ou empreso que se lhes dê. Como já se escreveu – com muita sabedoria, penso eu –  “o mesmo cubo pode servir de pretexto para efeitos de sombra e de luz”. Quem quiser que escolha o serviço ou o desserviço e, evidentemente, arque com o ônus ou o bônus, assuma as consequências das suas decisões. A vida é bela é por isso.

Fecho a cronica, a que, propositadamente e exatamente por tudo isso, intitulei “Sem Título e, Talvez, Sem Sentido”. E a fecho com o comentário que postei, faz poucos minutos, no Facebook: “Lendo, desde o início da folga de carnaval, ‘Teogonia’ e ‘Trabalhos e Dias’, de Hesíodo, tradução e comentários de Sueli Maria Regino. Muito bom ler os clássicos gregos, sempre gostei. Ontem, à noite, comecei a ler também ‘O Quinto Evangelho: A Mensagem do Cristo’, o evangelho de Tomé, traduação e comentários de Huberto Rohden. Muito bom também. Depende do gosto, claro.”

Aliás, não, não. Vou fechar com uma passagem do Evangelho de Tomé, outro nome da obra O Quinto Evangelho: A Mensagem do Cristo: “Miserável o corpo que depende de outro corpo, e miserável a alma que depende desses dois corpos” (Evangelho de Tomé, 87). Eu, hein! Que será que ele quis dizer com isso? Miseráveis são todos os humanos, esperitualmente falando? Não digo que sim nem que não. O tradutor explica nos seus comentários.

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