Trump teve a prepotência, a maldita arrogância, a loucura de ameaçar de morte um país inteiro, o Irã, e marcar, inclusivamente, o horário para isso: hoje, à noite, às 21 horas, horário de Brasília, segundo lemos. Na sua loucura, teve, conforme se vê na mídia, a audácia de, com a mesma tranquilidade de quem diz, por exemplo, que vai a um piquenique na praia, dizer que “uma civilização inteira morrerá hoje”. Que absurdo! Maldita prepotência! Que quer dizer isso? Isso quer dizer que o criminoso insano ameaça usar bomba nuclear contra o Irã. É isso, sem tirar nem pôr. Mas é algo inconcebível, inaceitável, para o século XXI, não obstante todos que deveria falar e reagir estejam covardemente calados e quietos.
Não é de hoje que, enquanto todos se fazem de mortos em esfera global, os Estados Unidos da América se põem como a polícia do mundo. E, o que é pior, não uma polícia ordeira (que, mesmo assim, seria inadmissível diante dos princípios fundamentais do Direito Internacional), mas uma polícia desordeira e criminosa, que, a seu bel-prazer, invade outras nações e sequestra o governante, quando não o assassina. Isso é inadmissível, pois fere de morte princípios basilares e inafastáveis do Direito Internacional, como, por exemplo, o da autodeterminação dos povos, o da não intervenção e o da igualdade entre os Estados.
O que me assusta, porém, e me deixa perplexo de indignação não é a prepotência de Trump, que ultrapassa o razoável e mergulha na imensidão da loucura, é o silêncio de todos, que, na minha opinião, traduz a concordância, quando não covardia. Não concordo com o regime iraniano e, por isso mesmo, não o defendo, mas não é sobre isso que se está a tratar. É sobre a soberania e autodeterminação dos povos, a não intervenção, a igualdade entre as nações e a defesa da paz mundial. O mundo não pode se calar diante dessa ameaça de barbárie e genocídio do louco de plantão dos Estados Unidos da América, pois não é o Irã que está em perigo, é o mundo.
É preciso deter, para o bem da humanidade e enquanto há tempo, a prepotência, a arrogância, a loucura ou seja lá qual for o nome que se queira dar à maldita e, por isso mesmo, inaceitável necropolítica externa dos Estados Unidos da América. O mundo inteiro está a correr perigo. E não é um perigo qualquer, é o perigo de morrer. São inefáveis – ou seja, não dá para exprimir com palavras – os danos que o emprego de bombas nucleares, onde quer seja, traria causaria ao mundo. É muito sério e inadmissível isso! Mas todos estão calados? Por quê? A troco de que essa neutralidade? Até quando?
No plano interno do Brasil, as mais recentes ações criminosas de Flávio Bolsonaro, que, na maior infâmia que um brasileiro pode cometer nos dias de hoje, foi oferecer o Brasil e suas riquezas (leia-se, em primeiro lugar, as terras-raras) aos Estados Unidos da América. Infâmia, solene infâmia! Merecia, como merece, pela sua infame traição à pátria, ser processado, cassado, condenado e preso, a bem do Estado Democrático de Direito, a bem do Brasil. E o infeliz cara de pau teve, além disso, a audácia de falar mal e tentar desacreditar o sistema eleitoral brasileiro perante estrangeiros, incitando-os contra os interesses da pátria. Não pode ficar impune.
Para concluir, Joaquim Nabuco, o grande escritor de Minha formação, diz que a intolerância é uma retração intelectual que produz a hipertrofia ingênua da personalidade. Eu diria que é a hipertrofia maldosa ou, quando não, ingênua. Penso que a maioria dos intolerantes são maus em si e por si mesmos. Faço, todavia, a ressalva, tal qual fez o apóstolo Paulo em relação à ira. Nem toda intolerância, pois, é maldade: é preciso ser intolerante, no mais profundo significado da palavra, com a tortura, os torturadores e quem a eles faz apologia, bem como com o neonazismo, os neonazistas e os infames traidores da pátria e qualquer necropolítica, interna ou externa. Não à morte, sim à vida!