sábado, 12 de novembro de 2011

Marabá, minha Marabá


Marabá não pode contar com a minha poesia, porque não sou poeta. Sua beleza, no entanto, jamais precisaria de poetar claudicante e mixuruca, dispensa apresentação porque fala por si mesma. Cá para nós – ainda que digam maculado de suspeição filial o nosso ver, apreciar e amar – seus dotes naturais por si mesmos se expressam na sua pujança inigualável, porque, já diz o nosso brasão, com a ajuda de Deus, chegaremos às estrelas (“Favante Deo ad astra vehimur”). 

Temos rios, não simplesmente rios, mas belíssimos rios; praias, não marítimas, mas fluviais, que não são apenas praias, são praias belíssimas, como belíssimas são nossas mulheres. A mulher marabaense é linda, belíssima, como mais linda, mais bela fica a mulher que aqui aporta! Temos poetas, que cantam a beleza sem par da nossa terra. Por mais que, na visão estéril de quem a tudo apouca e amesquinha, isso pareça inexpressivo, penso o que penso, sinto o que sinto, digo o que digo.

Não temos Avenida Atlântica nem Copacabana, a princesinha do mar; temos, porém, Orla Sebastião Miranda, beleza e orgulho nosso à margem tocantina, e temos Marabá, que é apenas Marabá, não é Pioneira nem Velha nem qualquer outra adjetivação desse jaez que se lhe queira pôr. Nossas praias belíssimas e agradavelmente acolhedoras, como a do Tucunaré e a do Geladinho e tantas outras, são banhadas a um só tempo pela água tocantina e pelo sol marabaense, tão belo quanto os outros sóis do Pará, do Brasil e do mundo. O céu vespertino da Praça Duque de Caxias tem o azul mais bonito que conheço.

A VP-8, com suas sumaúmas, ipês, patas-de-vacas, jatobás e outros mimos faz por deleitar o transeunte que por ela passa tal qual o faz a Praça Duque de Caxias, com seus já quase centenários oitizeiros e mangueiras, e também os mais recentes exemplares de ipê e pau-preto. A Praça do Mogno, na verdade um bosque reflorestado, já pelo nome dispensa apresentação e comentários. De igual modo é a Alameda do Maneco, túnel verde de bambus, que ornamenta e refrigera o entrar em Marabá e dela sair a qualquer hora. E o bosque da escola do Serviço Social da Indústria (Sesi)? Ah, me faltam as palavras para dizer da sua arborização!

Mas, é só isso? Não! Temos a Transamazônica, que, aliás, para mim, dentro da cidade é avenida e deveria ter denominação própria. Rodovia é “via rural pavimentada”, algo bem distinto de via urbana – não sou eu quem o diz, é a lei de trânsito que o define. Isso, todavia, não vem ao caso, pois, avenida ou rodovia, ela é lindíssima, com sua arborização de palmeira-imperial, coco-dendê, pau-preto, jatobá e até pequiá, da ponte do Rio Itacaiunas até desaparecer na floresta (digo, onde havia floresta), rumo a outras plagas.

Como descrever os pés de mogno, exuberância arbórea de beleza altaneira, que parecem saudar, não somente a mim, quando chego para trabalhar e quando saio, não raro cansado, de volta para casa, mas a todos, marabaenses ou não, que visitam o prédio do Parlamento Municipal, local em que o povo, bem ou mal, continuamente vive a legislar? É muito agradável vê-los e contemplá-los como obra perfeita dentre tantas das mãos divinas! Eles estão lá, todos os dias, imperturbavelmente garbosos, haja chuva ou faça sol.

É isso. Marabá é tudo isso e muito mais que não sei dizer! Mas não precisa dizer mais, não é necessário. Quero, por conseguinte, que me seja permitida a repetição, por certo paupérrima, mas sem nenhum exagero, para parafrasear, à guisa de síntese muita apertada, o que já disse em poema dedicado à mulher, e finalmente dizer: Nem é preciso falar,/ Basta contemplar e amar,/ O que ela é, o que ela tem,/ Marabá, igual a ti lugar não há!

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