segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Fragilidade humana


Segunda-feira, 12 de outubro de 2009 seria mais um dia qualquer dos meus 49 anos de vida, se não fora o dia triste que foi: participei de dois velórios, juntamente com a Câmelha, minha mulher, e, na hora dos sepultamentos, tivemos que nos separar; fui para o cemitério “Recanto da Saudade”, Nova Marabá, e ela foi para o cemitério (pelo menos que eu saiba) ainda sem nome, na Cidade Nova. É que, na noite de ontem, faleceram duas pessoas da nossa amizade: Simone Maria Vasconcelos Nascimento, de 21 anos, secretária da Escola Municipal “Luterana”, onde a Câmelha é coordenadora pedagógica; e Adenair Freitas Heringer, de 77 anos, amada irmã em Cristo (da Igreja Presbiteriana do Brasil, como nós).

Foi uma experiência ímpar e dolorosa, pelo intraduzível sentimento de perda corroborado pela dor inexprimível da impotência ante a perecividade natural do ser humano. A morte, conquanto seja a quase certeza da vida de cada um, ninguém a espera nem a deseja. Digo a quase certeza, porque advogo a minha fé nas Sagradas Escrituras, segundo as quais nem todos morrerão: quando Cristo voltar, os mortos ressuscitarão e os vivos serão transformados (1 Coríntios 15.51, 1 Tessalonicenses 4.17).

Encerradas as cerimônias e passada a agonia da hora mais triste, que é a das primeiras pás de terra jogadas sobre o caixão baixado à sepultura, voltamos nós, cada um para sua casa, e aqui estou eu, após o reencontrar da mulher, que fora prestar a última homenagem a sua colega Simone. Ela dorme, porque não dormiu de ontem para hoje e estava muito cansada; eu, todavia, não consegui conciliar o sono, por mais que o buscasse. Precisava escrever alguma coisa, dizer algumas palavras sobre o estado de espírito de que me vejo prisioneiro no recesso silencioso do meu íntimo, deixando-me abandonar à meditação profunda sobre os mistérios da vida e da morte.

Ah, como quisera eu ser o poeta que não sou, para expressar, de forma grave, mas espirituosa, o que agora me incomoda e locomove! Como gostaria de poder consolar de forma realmente eficaz a mãe, pai e irmãos da jovem de 21 anos, bem como, semelhantemente, o marido, filhos e netos da amada irmã em Cristo. Sem chance, impossível! Não sou poeta e, ainda que o fosse, não poderia fazê-lo: tudo que escrevesse ou dissesse não supriria jamais a falta dos entes queridos que se foram. Só o tempo, naturalmente, poderá trazer, de alguma forma, a consolação.

Nós somos frágeis como a flor da erva, que desabrocha na madrugada e ao entardecer já quedou murcha e sem vida. A jovem linda, bem-educada e talentosa que anoiteceu cheia de vida e de sonhos não pôde ver o amanhecer, porque já estava morta. Ontem, trabalhava, corria, brincava, sorria e fazia planos; hoje, está enterrada e com ela pereceram todos os seus sonhos! Na outra família, o jovem que um dia se casou, viu com alegria, ano a ano, nascer e crescer cada um dos filhos, agora, ancião, o corpo alquebrado e a mente amortecida pelo esvair-se natural da existência, viu baixarem à sepultura os ombros que toda a vida o ampararam. A morte, ah, como é terrível a morte!

A Bíblia diz que Deus pôs a eternidade no coração do homem (Eclesiastes 3.11), mas, como se vê, o homem é um produto altamente perecível. É preciso ter esperança na vida futura, pois a vida terrena é muita curta, efêmera ao extremo: a ninguém vale a pena se apegar às coisas deste mundo. Como escreveu o apóstolo Paulo (1 Coríntios 15.19): “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.”

2 comentários:

ellen disse...

Noosaa irmão...tava de bobeira na internet quando resolvi procurar pelo nome da minha avó...embora jjá tenha lido no jornal quando publicaram fiquei muito feliz em vê-los aqui!
Amo as suas escritas!
rsrs
saudades!
Ellen Heringer

Dr. Valdinar Monteiro de Souza disse...

Nooossa!... Muito obrigado, minha princesinha querida! O SENHOR te abençoe e te guarde sempre!